Sobre a Juventude e a Migração
À luz dos crescentes desafios associados à migração irregular e à contínua fuga de cérebros de África, o nosso dever nacional e continental obriga-nos a exprimir uma profunda preocupação face às transformações sociológicas que ameaçam o futuro dos jovens, bem como o desenvolvimento e a estabilidade em todo o continente africano.
À luz dos crescentes desafios associados à migração irregular e à contínua fuga de cérebros de África, o nosso dever nacional e continental obriga-nos a exprimir uma profunda preocupação face às transformações sociológicas que ameaçam o futuro dos jovens, bem como o desenvolvimento e a estabilidade em todo o continente africano.
O maior perigo que enfrentamos hoje não se limita à partida de jovens em busca de emprego. Estende-se ao esgotamento dos talentos, das competências e das capacidades de que os nossos países necessitam para construir economias sólidas, reforçar a soberania e alcançar um desenvolvimento sustentável.
Por conseguinte, o combate à fuga de cérebros deve tornar-se uma prioridade nas políticas públicas tanto nacionais como continentais.
Os fatores impulsionadores da migração já não estão ligados apenas à pobreza ou aos conflitos. São agora também influenciados pela globalização cultural, pela transformação digital, pela indústria do entretenimento e pelos meios de comunicação social. Isto exige a adoção de uma abordagem cultural, educativa e de desenvolvimento abrangente.
A realidade exige também que se vá além da abordagem estreita e centrada na segurança adotada por alguns parceiros europeus, avançando para a capacitação e preparação dos jovens através do apoio à educação, à formação, ao empreendedorismo e à inovação, criando ao mesmo tempo oportunidades genuínas nos seus próprios países.
A fase atual exige também a integração das questões de migração e mobilidade no centro das estratégias de desenvolvimento, através de uma abordagem global que veja a circulação de pessoas como uma oportunidade de desenvolvimento e cooperação, em vez de a reduzir a uma questão puramente securitária.
A dignidade dos cidadãos africanos só pode ser salvaguardada através da educação, do emprego, da liberdade de iniciativa e da criação de condições de vida dignas nos seus próprios países — e não através de perigosas jornadas migratórias que esgotam vidas e potencial humano.
A contínua perda das mentes e talentos mais brilhantes de África não é um destino inevitável. Trata-se de um desafio histórico que exige que os líderes políticos adotem visões audazes, tomem decisões corajosas e assumam posições decisivas para construir um futuro que ofereça aos jovens oportunidades reais de contribuir para o desenvolvimento e moldar o futuro do continente.